Peluso continua o mesmo
Saiu hoje na Folha esta matéria. Na próxima postagem republico o artigo meu que saiu n'O Globo tratando do Judiciário e de César Peluso.
Ministro do Supremo diz que a presidente 'ignorou' a Constituição ao não manter proposta de reajuste do JudiciárioDE BRASÍLIA
Dois anos de blog
No próximo dia 21 o blog completa dois anos. Surgiu para acompanhar a campanha eleitoral de 2010. E tinha data de término: duas semanas após a apuração do segundo turno. Porém, foi ficando. Nem sempre é atualizado na velocidade necessária, especialmente nos momentos de muita leitura. Tanto quanto possível, espero ir destacando questões que acho relevante para o debate político brasileiro. .
Grave seca na Bahia
A Bahia está passando pela mais grave seca dos últimos 30 anos. Quando falo em Bahia estou dizendo que a seca - obviamente - atinge o semi-árido regional. Além da tragédia já conhecida, a combinação de seca e eleição é tenebrosa.
Em 2010 já tinha escrito um artigo para O Globo tratando do abandono do Nordeste. Vale a republicação:
O Nordeste saiu de moda
MARCO ANTONIO VILLA
O GLOBO - 09/11/10
Muitos temas ficaram fora da agenda eleitoral deste ano. A discussão sobre o semiárido nordestino certamente foi um deles. Temos o semiárido mais populoso do mundo. A maior parte dos seus habitantes vive próximo da miséria. Seus municípios sobrevivem de duas fontes: a aposentadoria rural e o Bolsa Família, que injetam recursos que são fundamentais para movimentar o comércio.
Não há economia local. A produção de alimentos mal dá para a subsistência.
Os rendimentos de agricultura e pecuária são desprezíveis. Nos oito anos da Presidência Lula nada foi feito na região. E não faltaram instrumentos como o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o Banco do Nordeste, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas ou a Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste.
O Nordeste saiu de moda. E faz tempo. No pré-64 era tema constante em qualquer roda política. Ligas Camponesas, reforma agrária, Sudene eram temas recorrentes. No cinema, música, teatro e literatura, lá estava o Nordeste seco e suas mazelas.
Durante o regime militar a região continuou em pauta. Várias medidas foram adotadas, como os incentivos fiscais. Com a redemocratização, a região foi caindo no esquecimento. E nos últimos tempos desapareceu do debate político nacional. Nem os velhos setores da esquerda falam do sertão. Até o MST centrou suas ações longe de lá.
A Amazônia acabou ocupando o espaço que foi durante décadas do Nordeste. Saiu do noticiário o latifúndio improdutivo e entrou o meio ambiente.
Basta acompanhar as discussões do Congresso Nacional. Vários temas polêmicos envolvem a Amazônia; já o Nordeste ficou esquecido, como se tivessem sido resolvidos, ou, ao menos, encaminhadas as soluções, os seus problemas seculares.
E seus representantes? As velhas oligarquias continuam firmes e fortes.
E ainda ficaram mais poderosas nos últimos 8 anos. Os órgãos e as agências estatais que atuam na região foram entregues aos oligarcas.
São excelentes cabides de empregos e de bons negócios. Fortaleceram ainda mais seus interesses de classe.
Por outro lado, os sertanejos estão abandonados e cada vez mais dependentes dos oligarcas e de seus instrumentos de dominação, especialmente o Bolsa Família. A maioria das cidades do semiárido tem mais de 60% dos seus habitantes recebendo o benefício.
Mal conseguem se alimentar e não têm nenhuma perspectiva de futuro.
Canudos, no Nordeste da Bahia, é um bom exemplo. É conhecida devido à guerra de 1896-1897 e ao maior clássico brasileiro, "Os sertões", de Euclides da Cunha. Hoje, o município tem pouco mais de 15 mil habitantes, dos quais 2.461 famílias são beneficiárias do programa. Ainda cerca de 500 estão cadastradas e aguardam a sua vez: são um excelente instrumento eleitoral com promessas de que irão fazer parte da lista de pagamentos do programa. As famílias já beneficiadas ficam à mercê do dirigente local: permanecem recebendo o benefício se apoiarem o oligarca local. E como cada família sertaneja, em média, não tem menos que cinco pessoas, hoje representam cerca de 12 mil pessoas, cerca de 80% da população.
No município não há nenhum trator, porém tem 473 motos. A dependência dos recursos da União ou do governo estadual é absoluta. Basta ver que o imposto territorial rural recolhe aos cofres municipais pouco menos de 5 mil reais; já do Fundo de Participação dos Municípios recebem 8 milhões. Dos 15 mil habitantes, pouco mais de 600 são assalariados, e o PIB per capita é de 2.700 reais.
Em 2006, no segundo turno da eleição presidencial, Lula obteve 5.768 votos, e Alckmin, 1.621, isto de um total de 7.389 votos válidos. Quatro anos depois, em um universo um pouco maior, de 7.481 votos válidos, Dilma saltou para 6.454, e Serra recebeu apenas 1.027, isto sendo um político muito mais conhecido na cidade, pela atuação no Ministério da Saúde, do que Alckmin. Se nas esferas municipal e estadual mantiveramse os políticos tradicionais, na eleição presidencial o fortalecimento do domínio petista é inconteste.
E o quadro de Canudos repete-se em centenas de municípios do semiárido.
Foi forjada uma sólida aliança entre o petismo federal e as oligarquias, transformando a população da região em celeiro de votos para os candidatos governamentais. Se nos últimos anos os indicadores sociais tiveram leve melhora, a sociedade local continua petrificada. Os mandões locais continuam tão poderosos como antes. O potencial de revolta foi domado pelos programas assistencialistas.
É como se a roda da história não se movesse. E, para piorar o quadro, o Brasil virou as costas para o Nordeste.
MARCO ANTONIO VILLA é historiador e professor do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos (SP).
Collor na CPI?
Collor na CPI? É o país da piada pronta. O presidente que foi "impechado" do Palácio do Planalto vai ser o representante do PTB na CPI do Cachoeira. Vai combater a corrupção? Deve tirar do armário a fantasia (tão empoeirada) de caçador de marajás. Leiam a notícia da coluna "Radar" da Veja on line:
Collor na CPI
Petistas e stalinistas
Rui Falcão, presidente nacional do PT, simboliza bem o stalinismo. Agora faz ameaças à imprensa, bem ao estilo do velho bigodudo georgiano. Crê que a CPI será um instrumento contra a oposição. Está enganado. Tudo indica que os maiores atingidos (alguns oposicionistas incluídos) serão os políticos ligados à base de sustentação do governo. Mas deixando isto de lado, republico artigo que saiu na Folha de S. Paulo de 9 de janeiro deste ano e que mostra a forma de agir dos saudosos de Josef Stalin:
Os sarneys entre o público e o privado
Deu hoje na Folha:
Governadora, que teve agenda com Dilma em Washington, diz não ver problema em aceitar carona de um amigoRUBENS VALENTE
DE BRASÍLIA
ANDRÉIA SADI
DO PAINEL
Mensalão
O grande assunto do semestre é o julgamento do mensalão pelo STF. Isto se aquela Corte resolver apreciar o processo que foi aceito em 2007. Cinco anos é um prazo mais que razoável para julgar qualquer processo. Agora, tudo depende do ministro Ricardo Lewandowsky. Ele é o ministro revisor. De acordo com o regimento Interno do STF nos artigos 23, 24 e 25, cabe ao revisor sugerir ao relator do processo "medidas ordinárias do processo que tenham sido omitidas", "confirmar, complementar ou retificar o relatório" e "pedir dia para julgamento dos feitos nos quais estiver habilitado a proferir voto". Até agora ele não fez nada disso. E se o processo não entrar na ordem do dia até maio, dificilmente será julgado este ano.
Ayres Brito, que vai assumir a presidência do STF no próximo dia 19, deixou claro, em entrevista à revista Veja, que ao receber o processo de Lewandowsky, vai colocá-lo imediatamente na ordem do dia. Assim, o Brasil espera que Lewandowsky cumpra suas atribuições legais.