A queda de Nascimento

Pensando a demissão do ministro dos Transportes:

1. era da cota pessoal de Lula. Por amizade, afinidade política? Não, nada disso. É que ele é senador e seu suplente é o João Pedro (PT) amigão do peito de Lula. Ou seja, ele esteve lá durante vários anos (desde a segunda presidência Lula) só para abrir caminho para que um amigo de Lula pudesse ter o gosto de ser senador;
2. é o segundo da cota pessoal de Lula que cai, isto em um mês e meio;
3. haja herança maldita!
4. o clube da Luluzinha envelheceu em um mês;
5. Blairo Maggi no lugar de Nascimento? Piada!
6. Se for assim, prefiro que coloquem o presidente de "honra" do PR, o Valdemar da Costa Neto;
7. Dilma deve estar sonhando com os primeiros cem dias de governo e aquele céu de brigadeiro;
8. Em agosto, qual ministro vai cair?
9. Qual será o novo escândalo de corrupção?
10. Como Dilma dificilmente vai mudar o estilo do governo, não é exagero dizer que o desgaste vai crescer tanto, que será inevitável transformar a sucessão de 2014 em principal tema político ainda em 2011.
11. O desgaste não é do PR, do Nascimento (que ninguém sabe quem é) ou do Lula. É de Dilma.
12. E as denúncias vão ser apuradas com rigor? Da mesma forma que a Erenice, lembram?


E os caças?

Desde 2003 o governo federal promete a compra dos caças. Oito anos depois, nada. O "nada" é tão completo que sequer o assunto é comentado. É um bom exemplo de um governo-espetáculo, muita conversa e pouca (ou nenhuma) ação.

O pacote de Abril e o Senado

O Pacote de Abril de 1977 foi imposto com o pretexto de realizar a Reforma do Judiciário. A proposta não obteve os 2/3 dos votos, como o disposto na Constituição que eles próprios fizeram. resolveram o "problema" fechando o Congresso durante 2 semanas e alterando a Constituição. O quorum constitucional passou para 50% mais um.


Mesmo com o aumento do número de suplentes (2), o segundo colocado nas eleições (de 1978) era o sucessor da cadeira. Em São Paulo, nas eleições de 1978, concorreram 3 candidatos ao Senado, dois do MDB e um da ARENA. Do MDB foram Franco Montoro (candidato à reeleição) e Fernando Henrique Cardoso e pela ARENA, Claudio Lembo, presidente da seção estadual do partido. Montoro ficou em primeiro, FHC em segundo e Lembo em terceiro. Montoro assumiu em fevereiro de 1979 mas teve de renunciar quando foi eleito governador de São Paulo, em novembro de 1982. Desta forma, FHC assumiu a cadeira. Em 1982 também foi renovadora outra cadeira e Severo Gomes (pelo PMDB) venceu. O terceiro senador era o "biônico" Amaral Furlan, da ARENA.

Em tempo: biônico foi a denominação jocosa dada aos senadores eleitos indiretamente pelas assembleias legislativas estaduais em 1978. Foram criados pelo Pacote de Abril. O objetivo era controlar o Colégio Eleitoral na sucessão de Figueiredo, em janeiro de 1985 (para a sucessão de Geisel, a ARENA tinha os votos suficientes; o problema era a sucessão seguinte). Em todos os estados foram eleitos senadores biônicos pela ARENA com uma única exceção: o Rio de Janeiro, onde o MDB, apesar de todas as mágicas feitas pelo regime, ainda tinha a maioria no colégio eleitoral estadual. Só acrescentando: biônico foi devido a uma série de TV de sucesso chamada Cyborg, o homem de seis milhões de dólares. Passava na Band.

O suplente do Itamar

Suplente de senador é uma praga. Nos últimos dois dias os jornais deram destaque a Zezé Perrela, presidente do Cruzeiro e suplente de Itamar. Vai ficar sete anos e meio como senador. Está na Constituição, o que fazer?


Perrela já foi acusado de tudo. Para ser educado, é possível escrever que ele desenvolveu atividades pouco republicanas.

Quando começou esta história de suplente? No Império não tinha pois o senador era vitalício. Na Primeira República também não. Não era mais vitalício mas se morria ou se afastava por qualquer razão, tinha nova eleição. Foi a Constituição de 1934 que introduziu o suplente. 1946 e 1967 repetiram. A emenda nº 1 de 1969 também. Aí veio o Pacote de Abril de 1977 e ampliou para dois suplentes. Foi um meio de assentar o apoio do regime no interior do seu partido, a ARENA. E, como no Brasil, o que é ruim pode piorar, a Constituição de 1988 manteve os dois suplentes (inventados pelos militares).

A manipulação da história.


Carta de Dilma a FHC não chegou ao Museu da República

Exposição sobre o período republicano mostra Fernando Henrique como um presidente que 'vendeu o Brasil' e Lula como o redentor da nação

Cecília Ritto, do Rio de Janeiro

Depois de oito anos de megalomania lulista, a presidente Dilma Rousseff aproveitou os 80 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para devolvê-lo publicamente ao lugar de destaque na história recente do Brasil. Em carta aberta, Dilma definiu FH como “o ministro arquiteto de um plano duradouro de saída da hiperinflação e o presidente que contribuiu decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica”, e lembrou “o espírito do jovem que lutou pelos seus ideais, que perduram até os dias de hoje”.

A grandeza de espírito da carta não chegou a uma instituição importante, que tem como sua principal missão a guarda da história do Brasil republicano. No Museu da República, instalado no Rio de Janeiro no histórico Palácio do Catete, uma exposição que pretende contar a história da república brasileira apresenta Fernando Henrique como um presidente que se aproveitou eleitoreiramente do Plano Real, promoveu privatizações que “venderam o Brasil” e conseguiu sua reeleição comprando votos de deputado e senadores no Congresso Nacional. O ex-presidente Lula, ao contrário, tem sua trajetória acompanhada desde o regime militar, como o líder operário que resistiu à ditadura, enfrentou a repressão e perdeu três eleições, até conseguir chegar à presidência, lugar que lhe era destinado.

Reprodução/Oscar Cabral

Charges de Santiago (à esquerda) e de Aroeira (à direita), cedidas pelos autores ao Museu da República, ironizam as privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso

Charges de Santiago (à esquerda) e de Aroeira (à direita), cedidas pelos autores ao Museu da República, ironizam as privatizações do governo Fernando Henrique

Batizada de “Res Pública Brasileira” (coisa pública brasileira), a exposição ocupa praticamente todo o terceiro andar do museu – onde fica o quarto onde Getúlio Vargas se suicidou, em 1954, e é o local que mais atrai visitantes, principalmente estudantes. Inaugurada em abril de 2010, ela narra a trajetória republicana através de seis conjuntos: a república proclamada, a oligárquica, a nacional estatista, a liberal-democrática, a ditadura e a república cidadã. Cada uma dessas partes foi concebida com base em textos feitos por historiadores de instituições respeitadas, como a Fundação Getúlio Vargas e a Universidade Federal Fluminense.

A concepção geral da mostra, que tem curadoria da historiadora Maria Helena Versiani, é bem tradicional. Em todas as salas, a ideia é a mesma. Textos curtos estampados nas paredes, muitas fotos, alguns objetos e poucos comentários. O início da parte dedicada à República Cidadã, que ocupa duas salas, não é muito diferente. A narrativa, linear, passa por Tancredo Neves, José Sarney, Ulysses Guimarães e a Constituição de 1988, e uma pincelada na força dos movimentos sociais, sintetizados em um cartaz da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) pedindo pela reforma agrária. Na última, a coisa muda de figura. Só dá Lula, e Fernando Henrique merece textos como o que se segue: “Em 1998, Fernando Henrique é reeleito em um processo marcado por denúncias de favorecimento político em troca de apoio. Consolidou-se um projeto de redução do papel do Estado na economia, que envolveu privatização de várias empresas.”

Bem diferente do tom da apresentação do governo Lula. “O candidato do PT, ex-metalúrgico e líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva venceu as eleições presidenciais em 2002 e 2006, a partir da articulação de uma aliança que reunia extremos da política. Seu governo vem obtendo bons indicadores nas áreas econômica e social, com destaque para a erradicação da fome no Brasil. Não obstante, a sua gestão foi, em mais de um momento, associada a escândalos de corrupção”.

Mais do que as palavras, no entanto, o que marca a diferença de tratamento entre FH e Lula é a iconografia. O período de 1994 a 2002 é ilustrado por fotos burocráticas e charges contrárias à privatização. “Se privatizar, o Brasil vai rachar”, diz uma. Em outra, alguém diz a FH: “Presidente, não consigo achar o Brasil”. Ele responde: “Claro que não... Eu vendi”.

Enquanto isso, o louvor a Lula aparece na foto da grávida que escreveu na barriga “Lula eu te amo”, em uma pequena garrafa na qual um artesão nordestino desenhou com areia a imagem de Lula e de Mariza Letícia e escreveu: “Luiz Inácio Lula da Silva, a nação brasileira te ama.” Penduradas no teto, bandeiras do PT, do PDT, do PCdoB, do PMDB, do Movimento dos Sem Terra e da Força Sindical coroam a euforia lulista da República Cidadã.

Para o historiador e professor do departamento de ciências sociais da UFSCar Marco Antônio Villa, o discurso pró-Lula está contaminado pelo espírito do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) da época de Getúlio Vargas, o último presidente a morar no Palácio do Catete. “Essa história que começa no dia 1º de janeiro de 2003 não faz sentido em um museu oficial que pretende contar a história republicana. “É uma leitura religiosa e, no fundo, reacionária”, afirma.

A exposição está programada para ocupar o terceiro andar do museu por mais, pelo menos, cinco anos. A diretora da instituição, Magaly Cabral, que além das credenciais profissionais exibe a de mãe do governador Sérgio Cabral, diz que não percebeu qualquer desequilíbrio no tratamento dispensado a FH e Lula. Mas pondera que a exposição “não é apolítica”. “Não vem falar de neutralidade por parte do museólogo, do historiador, do pesquisador porque é difícil. Mas é obvio que temos que fazer um esforço e prestar atenção nisso”, diz. Segundo ela, no entanto, uma exposição de tão longa duração pode e deve sofrer modificações. Uma leitura da carta de Dilma a Fernando Henrique poderia ser um bom começo.

Itamar

Politicamente, a morte de Itamar só tem relevância devido à sua passagem pela presidência (2 de outubro de 1992 a 1 de janeiro de 1995). Evidentemente que isto não é pouco, muito pelo contrário. Mais ainda, a sua importância deve-se ao Plano Real, que mudou a história recente do Brasil.


Fora da presidência foi um político como outros, com brigas paroquiais, mudanças partidárias e reaproximações com antigos desafetos. Deve sre lembrada a sua correção ética, algo raro no Brasil.

Ninguém poderia imaginar que ele pudesse ter dado outro rumo ao país. Assumiu o governo em meio a uma tremenda crise econômica, administrativa e moral. Fez um governo de união nacional. Só o PT ficou na oposição e chegou até a ameaçar de expulsão Luiza Erundina, que aceitou ser ministra da Administração Pública.

Conseguiu restabelecer a paz política. Era um conservador e muito ligado ao grupo de Juiz de Fora com quem iniciou a vida política. Contudo foi extremamente ousado quando cacifou o Plano Real. Mercandante, o guru econômico do PT, disse que daria errado. Lula foi atrás, disse que o plano era eleitoreiro. Erraram feio.

O país vinha de 5 planos fracassados: Cruzado, Bresser, Verão, Collor I e Collor II. O Real nã congelou preços salários (como o Cruzado) e nem congelou os ativos financeiros (como o Collor I). Introduziu uma nova moeda, buscou a estabilização fiscal e acabou com a indexação, entre outras tantas medidas.

Deu certo. O país venceu a inflação e foi construindo as condições para o crescimento sustentável.

O estelionatário da história

Saiu hoje n'O Globo. A origem é o artigo do Sarney que foi publicado na Folha (sobre os 25 anos do Plano Cruzado).


Um passado que não existe

Analistas e políticos reagem a artigo em que José Sarney elogia o Cruzado e diz que o Real já estava idealizado

Publicada em 01/07/2011 às 23h28m

Isabel Braga (isabraga@bsb.oglobo.com.br) e Adauri Antunes Barbosa (adauri@sp.oglobo.com.br)
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O presidente do Senado, José Sarney, em foto de  Gustavo Miranda

BRASÍLIA e SÃO PAULO - Após ser criticado por ter chamado, em sua biografia, o ex-deputado Ulysses Guimarães de "político menor", o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), voltou a ser alvo de condenações pelo artigo publicado nesta sexta-feira no jornal "Folha de S. Paulo". No texto, Sarney diz que, sem o Plano Cruzado, teria sido deposto da Presidência. Também afirmou que o plano foi "a primeira grande redistribuição de renda do Brasil". E que em seu governo o Plano Real já estava idealizado, mas não foi implementado por falta de "condições políticas".

Para o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), Sarney quer rever a História de um plano econômico terrível:

Sarney está criando um passado que não existe, criando um marimbondo de fogo histórico

- É uma tentativa revisionista. O Cruzado foi uma ilusão terrível, uma maneira que se encontrou de eleger governadores peemedebistas e políticos governistas. Encerradas as eleições, vieram os reajustes. Um plano equivocado, mal construído, um fiasco, um estelionato econômico e eleitoral contra a população e a nação brasileira.

Tucano diz que plano Cruzado foi eleitoreiro

O líder do DEM afirmou que o Plano Cruzado dificultou a busca pela estabilidade econômica, e não o contrário, como defende Sarney no artigo:

- Ele deveria é reconhecer que foi levado ao erro por economistas demagogos e não ficar enaltecendo um engodo. Para consertar o erro, foi preciso a política econômica feijão com arroz do Mailson da Nóbrega, que deu fundamentos para a estabilidade. Foi a parte responsável do governo Sarney.

O líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP), disse que o Cruzado foi um plano eleitoreiro:

- Aquilo foi um estelionato eleitoral, serviu para eleger governadores do PMDB. Não tem a mínima comparação com o Real, nem na concepção, nem nos fundamentos econômicos e, sobretudo, nos resultados.

Para especialista, Sarney tenta mudar História

O historiador Marco Antonio Villa, do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), também criticou Sarney:

- Sarney está criando um passado que não existe, criando um marimbondo de fogo histórico. Confesso que fiquei enojado com esse artigo. O artigo esconde o fracasso do Plano Cruzado e de seu governo porque tenta se apropriar do sucesso dos outros. É um estelionato histórico.

Para o professor da UFSCar, Sarney "delira" quando afirma que poderia ter sido deposto:

- Isso não existe. É um delírio. Em 1986 não havia nenhuma mobilização, nenhum movimento militar. E um ano antes já havia sido convocada a Assembleia Nacional Constituinte. Não havia nenhum clima golpista.

Para o cientista político Fernando Abrúcio, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), não havia qualquer possibilidade de Sarney ser deposto da Presidência:

- Em 1986 não havia nenhuma chance de os militares voltarem ao poder. Não só pelas condições locais do país, mas pela política externa mundial. O mundo tinha mudado.