Cuba
Esta reportagem foi exibida no "Bom dia Brasil" de ontem:
"Fidel Castro apareceu ontem mais uma vez. Discursou durante uma hora e 14 minutos. Lembrou o passado e evitou o futuro. Não comentou as promessas de mudança na economia.
Cuba vive uma situação muito complicada. Não tem indústria, não tem capacidade para produzir. Mas tem uma imensa mão de obra. São cubanos que trabalhavam como funcionários públicos e que agora estão ameaçados de demissão.
A Cuba de Ibrahim Ferrer, de Compay Segundo, de Ruben Gonzales, músicos que voltaram a aparecer para o mundo nos anos 1990, vive hoje uma das piores crises da sua história. O país já não é um grande exportador de açúcar, nem de tabaco. Praticamente não tem indústrias.
Cuba vive hoje de uma pequena exportação de níquel, do turismo e de recursos que cubanos exilados enviam aos familiares.
Diante desse quadro, Raúl Castro, que há quatro anos cria novas medidas econômicas para tirar o país da crise, anuncia a intenção de demitir cerca de 500 mil funcionários públicos nos próximos meses.
Para absorver esses funcionários no mercado de trabalho cubano, Castro autorizou o emprego privado para 178 atividades, entre elas afinador de piano, carregador de água, fotógrafo, jardineiro, cartomante.
“Os funcionários públicos ganham um salário simbólico, de US$ 25 ou US$ 30. Grande parte deles sequer trabalha porque não há o que fazer tendo em vista a grave crise cubana. O que vai ocorrer é que vai incentivar os pequenos negócios, tanto no caso da indústria, em um setor terciário da economia, no comércio e tal. Porém, para isso é necessário ter capitais, matérias-primas, equipamentos, insumos e muitos são importados. A grande questão é que Cuba não tem capacidade para importar, não tem recursos suficientes para isso. Então tudo indica que essas reformas estão fadadas ao fracasso”, explica o historiador da UFSCar Marco Antonio Villa.
O bailarino cubano Yasser Diaz vive há 15 anos no Brasil, mas tem uma irmã que mora em Cuba: “A minha irmã é funcionária pública e também está correndo o risco de ser demitida”.
A irmã de Yasser recebe cerca de US$ 100 por mês. “Felizmente a minha irmã hoje em dia não precisa fazer nada porque eu estou aqui e mando dinheiro para minha família periodicamente. Mas a minha mãe e a minha irmã já venderam doce de leite, venderam sucos e é isso exatamente o que quer o governo. Essas pessoas que antigamente estavam ‘na ilegalidade’, eles querem fazer uma nova lei para trazer todas essas pessoas para eles e que eles comecem a trabalhar e que não seja ilegal”, aponta o bailarino Yasser Diaz.
Para o historiador Marco Antonio Villa, a saída para Cuba está na ajuda dos principais países da América Latina: Argentina, México e Brasil.
“O Brasil hoje tem uma tecnologia, por exemplo, na cana-de-açúcar, na extração de petróleo, no desenvolvimento de pequenos negócios, por exemplo, o papel que o Sebrae pode desenvolver lá, o do Banco do Brasil, do BNDES. Acho que seria fundamental o governo brasileiro estender a mão à Cuba e buscar uma solução econômica, mas também entender que sem o respeito às liberdades, aos direitos humanos, não há saída para Cuba”, destaca o historiador da UFSCar Marco Antonio Villa.
Para os especialistas ouvidos pela reportagem, a figura emblemática de Fidel Castro ainda garante certa estabilidade a Cuba. A ilha pode ser um local de ótimas oportunidades para indústrias. Mas, quem vai querer se arriscar?"
Marolinha vermelha
Publiquei ontem na Folha de S. Paulo:
A SOBERBA faz mal a política. A eleição não está decidida. A onda vermelha, parece, não passou de uma marolinha.
A avidez dos apoiadores, que já estavam dividindo os cargos do futuro governo, foi contida. A comemoração da vitória, antes do apito final do juiz, pode explicar a violência dos ataques à liberdade de imprensa e à oposição em geral.
É importante para o país uma discussão de programas e propostas. Até o momento, a campanha ficou resumida ao protagonismo de Lula e às graves denúncias envolvendo ministros e aliados do governo. É preciso muito mais que isso.
Os debates entre os presidenciáveis foram inúteis. Viraram monólogos. O enfrentamento democrático entre candidatos acabou se transformando numa repetição enfadonha de promessas, recheadas de números, sem sentido algum.
Ninguém aguenta mais debates que não são debates, onde as grandes questões nacionais são ignoradas. Até os ataques aos adversários são mal elaborados. O cronômetro, indicando que o tempo para a resposta do candidato está terminando, é o melhor aliado do telespectador.
O desinteresse popular é evidente. A ausência de política empobreceu a eleição. A repetição das velhas fórmulas esgotou a paciência do eleitor.
A falsa euforia do corpo a corpo nas ruas, que serve simplesmente para obter imagens para a TV, é a melhor representação de uma campanha pobre de ideias e recheada de marketing vazio.
Para a estratégia do governo é essencial despolitizar a eleição. Transforma-la em um plebiscito. As diferenças políticas devem ser diluídas.
Daí que não causa estranheza a aliança oficial combinar o apoio do empresariado, com os beneficiados pelos programas assistencialistas e os dirigentes sindicais amarelos.
Nesse coquetel infernal deve ser acrescentado o apoio dos oligarcas estaduais. Barbalho, Sarney, Calheiros e Collor servem para obter votos nos burgos podres. Mas é o típico apoio envergonhado: nos grandes centros seriam hostilizados.
Uma campanha sem ideologia sempre foi o desejo do governo. Até este momento conseguiu o seu intento. Caso ocorra um segundo turno, o artifício deverá ter vida curta.
A polarização, com a apresentação de dois projetos para o país, é tudo o que Lula não quer. Os candidatos terão tempos iguais na televisão. E nos debates o confronto será inevitável.
A oposição vai ter um teste de fogo. Terá de apresentar um programa de governo. Mostrar unidade e combatividade. E realizar algo que tinha esquecido nos últimos tempos: fazer política.
Debate e Pesquisa
O debate de domingo foi fraco. O modelo deu o que tinha de dar. Não esclarece o eleitor. Não possibilita a comparação de programas e propostas.
A pesquisa de hoje abre concretamente a possibilidade de segundo turno. Seria muito bom para o debate eleitoral se isso efetivamente ocorresse.
Links Globo News Painel e Canal Livre
http://globonews.globo.com/Jornalismo/GN/O,,MUL1620958-17665,00-AMERICA+ESPANHOLA+ENFRENTA+DESAFIOS+ANOS+APOS+INDEPENDENCIA.html
http://www.band.com.br/canallivre/videos.asp
1932 e os esportistas
Este é o link para a bela matéria do Esporte Espetacular sobre a participação dos
esportistas na Revolução de 1932:
http://globoesporte.globo.com/programas/esporte-espetacular/noticia/2010/09/o-dia-em-que-esportistas-foram-para-trincheiras-lutar-pelo-proprio-pais.html
Canal Livre
Hoje estarei no Canal Livre, da Band, às 23 horas, discutindo a sucessão presidencial e o voto dos eleitores.