Gaza

Os trágicos acontecidos que atingiram o comboio que se dirigia à faixa de Gaza vão jogar água no moinho do Irã, justificar um endurecimento nas negociações e a legitimalção do projeto atômico. A diplomacia brasileira deve apoiar discretamente o Irã.

Coréia

A crise (mais uma vez) na península coreana e sua gravidade está relacionada (principalmente) ao potencial nuclear da Coreia do Norte. Não ficaria admirado se o Brasil (o governo Lula, claro) saisse em defesa da ditadura coreana, argumentando que o arsenal atômico é para defesa (ou para fins pacíficos......). Daí que a pressão contra o Irá é fundamental para evitar o surgimento de mais um fator (e gravíssimo) de instabilidade no Oriente Médio. Somente a irresponsabilidade de Lula e do triunvirato do Itamaraty não percebeu a "roubada" de apoiar a ditadura iraniana. Daí a desconfiança de que Lula apoia sigilosamente o projeto da bomba atômica brasileira.

Política e futebol.

No próximo dia 15, a seleção estreia na Copa. Até 11 de julho, o país só falará de futebol. os candidatos, caso queiram aparecer bem no noticiário, vão ter de falar de futebol. Veremos alguns até vestindo a camisa da seleção. Lula, como sempre, quis tirar a sua casquinha. Sempre com uma agenda leve, teve tempo suficiente para receber a seleção. Na verdade, exigiu que a delegação passasse por Brasília. E, forçoso reconhecer, Dunga agiu muito bem. Tinha de ir, mas seria hipocrisia ficar aos beijos e abraços com o presidente. Cumprimentou friamente Lula. Das vezes que vi delegações na capital sendo recebidas pelo presidente (e isto desde Getúlio Vargas) foi o único que teve coragem de demonstrar desconforto. Melhor assim. Duro é ter de ler o Tostão dizer que pensou em não comparecer ao Palácio, em 1970, para não cumprimentar Medici. Conversa fiada. A politização de Tostão foi muito posteiror. Basta ler os jornais da época. Numa longa entrevista ao Estadão declarou que o seu sonho era...............visitar a Disneylândia.

Estilo de campanha.

Serra, neste momento da campanha, está, em cada declaração, demarcando terreno. Parece uma espécie de ensaio para quando a campanha efetivamente começar. Até agora tem sempre tentando colocar Dilma nas cordas, mas ainda batendo de leve. Terá de escolher, dentro de um amplo leque de opções da sua agenda eleitoral, quais pontos criticar. Já falou do Banco Central, Mercosul, Bolívia, política de segurança. É pouco mas suficiente para o atual estágio da campanha.

Até agora, Dilma não levantou nenhum tema relevante. Evita a todo custo o debate. Repete a ladainha da continuidade. É mais cômodo e eficaz. Mas como no futebol, campanha é momento. Como a eleição é em outubro, Dilma terá de se colocar mais abertamente, sem ter o escudo da assessoria. O seu desafio começará quando os primeiros debates forem marcados. Não causará estranheza se a sua equipe colocar inúmeros obstáculos para a realização de cada encontro dos três candidatos. Cada debate será um tormento para Lula. Ele sabe das limitações da sua candidata.

Política externa na campanha

Novamente a política externa entrou na campanha. Agora com a declaração de Serra sobre a Bolívia. É importante que além dos temas clássicos (educação, saúde, etc), também sejam discutidas as opções do atual governo no campo externo, que estabeleceu alianças com diversas ditaduras. Explorar os erros desta política pode contar ponto para a oposição.

É essencial vincular o desastre da política externa com o que ocorre no dia-a-dia. Falar da Bolívia e da Colômbia (Uribe foi hostilizado abertamente nos 8 anos do governo Lula) e mostrar como é fundamental combater o tráfico de drogras que infelicita milhares de famílias no Brasil. Tocar no Mercosul e mostrar que no momento que a Argentina viola o Tratado comprando bilhões de dólares da China (recebeu um empréstimo fabuloso só para comprar mercadorias chinesas) está tirando empregos de milhares de brasileiros, dimuindo a arrecadação fiscal, etc.

Voltarei ao tema.

Dilma no Rio Grande

Muitas pessoas, estas que acompanham política nacional, só devem ter tido conhecimento de Dilma Rousseff em 2003, quando ela assumiu o Ministério das Minas e Energia. A bem da verdade, excetuando um ou outro que tinha conhecimento das ações da VPR no início dos anos 70, Dilma era uma ilustre desconhecida.

No Rio Grande foi uma figura de segunda linha. Como é sabido, o estado tem uma renhida luta política que vem, sem exagero, desde o Império. A província e o estado tiveram importantes líderes nacionais. Neste universo, Dilma era aquela que servia o café e que saia da sala na hopra das discussões mais importantes.

Acabou assumindo funções públicas de segundo escalão quando ao PDT, seu partido, era reservada alguma sinecura. O máximo que obteve, na esfera estadual, foi uma secretária de importância secundária. Não creio que tenha sido alguma perseguição a ela. Ou que o "imenso talento" de Dilma, como o de Pacheco, célebre personagem de Eça de Queiroz, não tenha sido descoberto. Não, absolutamente não. Os gaúchos não são bobos. Conheciam o "talento" de Dilma.

O Globo

Saiu hoje em "O Globo".