História da migração nordestina para São Paulo

Segue link de um trecho de um capítulo de um livro meu (ainda) inacabado. Trata da grande migração nordestina para São Paulo. Foi publicado na revista eletrônica de poesia e cultura Sibila: http://www.sibila.com.br/index.php/mix/2171-quando-vim-mimbora-a-migracao-nordestina-para-sao-paulo

A economia vai mal

A questão central no país é a precária situação econômica. Como de hábito não é o foco principal do debate político. Vale a pena listar algumas questões:

1. a situação difícil dos pequenos bancos. O caso do Cruzeiro do Sul é somente mais um e não é o único;

2. o setor da construção civil mostra sinais de esgotamento;

3. o endividamento das famílias não para de crescer;

4. problemas estruturais da economia não se resolvem com medidas tributárias (aumentando ou baixando impostos temporariamente);

5. a tal "classe C" como instrumento de puxar o consumo para cima não passa de ficção;

6. a falta de uma política industrial é evidente;

7. os velhos gargalos da infra-estrutura se mantem apesar de dez anos de consulado petista;

8.  a baixa produtividade dos trabalhadores;

9.  a poupança interna é irrelevante;

10. o governo não consegue planejar nada (apesar dos dois ministérios dedicados à esta função);

11. o "modelo" de desenvolvimento criado nos anos 90 está fazendo água - e não é de hoje;

12. governo trata a economia com descaso, acha que a palavra substitui a ação.

13. a situação econômica internacional deve se manter neste patamar (ruim) por um bom tempo (especialmente a Europa e os EUA);

14. temerosa de alguma medida impopular (mas necessária) para reequilibrar a economia a médio prazo, Dilma opta pela fraseologia vazia (com tinturas do velho populismo) e com medo de algum reflexo negativo nos índices de popularidade.

15, a taxa de investimento é ridícula.

O mais terrível é que o Congresso Nacional sequer passa perto de qualquer destas questões.

O custo perverso da seca

Veja a matéria da Folha de S. Paulo. A seca continua e com efeitos terríveis. O governo federal não sabe o que fazer. Carros-pipa são instrumentos eleitorais, mais ainda em um ano de eleição municipal (água só para o eleitor do prefeito......).
Com estes 100 milhões gastos até agora, daria para construir 100 mil cisternas (ao custo de mil reais cada). A cisterna reserva a água da chuva para consumo doméstico e liberta o sertanejo do carro-pipa. Lula fez um enorme barulho, no segundo mandato, quando concedeu verba para a construção de 20 mil cisternas. A região (o semi-árido) precisa de aproximadamente 1 milhão de cisternas.

Gasto de governo com carros-pipa já chega a R$ 103 mi
Valor repassado ao Exército é para levar água a 2,8 milhões de pessoas em oito Estados nordestinos e norte de Minas
Para evitar furto, ministério estuda equipar veículos com GPS para saber destino de caminhões
Ricardo Cardoso/Frame/Folhapress
Morador de povoado em Vitória da Conquista, Bahia, usa animal para transportar água
Morador de povoado em Vitória da Conquista, Bahia, usa animal para transportar água
DANIEL CARVALHO
DE SÃO PAULO
O Ministério da Integração Nacional já gastou R$ 103 milhões com carros-pipa de janeiro a maio deste ano.
O montante foi repassado ao Exército para levar água a 2,8 milhões de pessoas em oito dos nove Estados nordestinos e no norte de Minas.
O valor já corresponde a mais da metade dos R$ 180 milhões gastos em 2011. Até outubro, mais R$ 130,6 milhões deverão ser repassados com base no plano de ação apresentado pelo Exército, responsável pela distribuição da água nos municípios.
Comitês de enfrentamento à seca dos Estados e municípios devem passar a auxiliar os militares na coordenação dessa tarefa. O ministério acredita que os técnicos desses grupos são quem melhor conhece a realidade dos locais atingidos pela estiagem.
Além disso, a Integração Nacional estuda equipar carros-pipa com GPS. A ideia é mapear os caminhões para saber de onde a água está sendo retirada, a exemplo do que foi anunciado no mês passado por Pernambuco.
O governo estadual identificou furto de água para abastecer carros clandestinamente e anunciou o monitoramento de 800 veículos contratados pelo Estado.
ORÇAMENTO
Em abril, a presidente Dilma Rousseff anunciou um pacote de R$ 2,7 bilhões para enfrentar a estiagem no semiárido neste ano. O repasse é equivalente a um terço do valor da transposição do rio São Francisco, obra que estava prevista para acabar este ano e que deve levar água para 12 milhões de pessoas em Pernambuco, Ceará, Paraíba e Rio Grande do Norte.
A última previsão do governo federal para o término da obra é dezembro de 2015, a um custo de R$ 8,2 bilhões.
Segundo o ministério, o pacote emergencial pode "engordar" ainda mais caso seja necessário manter a ajuda às vítimas da seca.
Além de custear os caminhões com água, o dinheiro está sendo utilizado em ações como implantação de cisternas, linha especial de crédito para pequenos e médios agricultores e redução do valor da saca do milho (usado como ração para o gado), segundo o ministério.
Parte dos recursos (R$ 200 milhões) foi destinada ao Bolsa Estiagem, programa voltado a pequenos agricultores de cidades em situação de emergência que não estão no seguro-safra. Segundo o governo federal, a primeira das cinco parcelas de R$ 80 está prevista para o dia 18.

 

Márcio Thomaz Bastos e seu cliente vip

O cartaz abaixo circula pelo território livre da internet e foi reproduzido na coluna de Ancelmo Góis.



Entrevista no Programa Jô Soares

Atendendo a pedidos, segue link da entrevista que dei no Programa Jô Soares tratando do meu último livro, "A história das constituições brasileiras. 200 anos de luta contra o arbítrio": http://www.youtube.com/watch?v=hKjk9mtBvlc

A situação econômica é ruim

A leitura desta matéria da Folha de hoje só reforça, infelizmente, o que tem sido dito: o governo não tem uma política econômica geral (e nem para os diversos setores da economia). Vive de medidas pontuais (como a isenção do IPI) sem ter uma visão de totalidade. O modelo, que deu certo até o final da década passada, está esgotado. E além de tudo, os famosos gargalos não foram enfrentados (tributos excessivos, baixa produtividade, infra-estrutura deficiente, alto custo da energia, desperdício governamental, etc, etc).


1/06/2012 - 11h54

Brasil teve o menor crescimento econômico entre países do Brics

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DA AGÊNCIA BRASIL
DE SÃO PAULO


O Brasil teve o menor crescimento econômico entre os Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, China, Índia e África do Sul) no primeiro trimestre deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado.
O crescimento de 0,8% do Brasil foi menor que os 2,1% da África do Sul, os 4,9% da Rússia, os 5,3% da Índia e os 8,1% da China. As informações foram divulgadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), com base em dados de institutos de estatística internacionais e do Banco Mundial.
Na comparação do primeiro trimestre deste ano com o último de 2011, o crescimento de 0,2% do Brasil foi melhor que os desempenhos da Itália (-0,8%), Holanda (-0,2%), Reino Unido (-0,3%), Espanha (-0,3%), Portugal (-0,1%) e França (0%). Mas foi pior que o de países como Chile (1,4%), México (1,3%), Japão (1,0%), Coreia do Sul (0,9%), Alemanha (0,5%) e Estados Unidos (0,5%).
Prévia do Banco Central sobre a atividade da economia (o índice IBC-BR) já apontava um PIB fraco, com crescimento de 0,15% no primeiro trimestre. Pesquisa da autoridade monetária com as principais instituições financeiras do país aponta alta do PIB inferior a 3% neste ano, enquanto alguns bancos e consultorias já projetam expansão de 2,8%.
O PIB, que reflete a soma das riquezas produzidas por um país, é composto pelos dados da indústria, agropecuária e setor de serviços. Também é analisado a partir do consumo, ou seja, pelo ponto de vista de quem se apropriou do que foi produzido. Neste caso, é dividido pelo consumo das famílias, pelo consumo do governo, pelos investimentos feitos pelo governo e empresas privadas e pelas exportações.

Lula: mais um retrato

Estou republicando este artigo que saiu n'O Globo de 13 de julho de 2010.


Obsessão pelo poder :: Marco Antonio Villa




DEU EM O GLOBO

Como é sabido, o Partido dos Trabalhadores nasceu em 1980. Contudo, muito antes da sua fundação, foi precedido de um amplo processo de crítica das diversas correntes de esquerda realizada na universidade e no calor dos debates políticos. A ação partidária, os sindicatos e as estratégias políticas adotadas durante o populismo (1945-1964) foram duramente atacados. Sem que houvesse um contraponto eficaz, fez-se tábula rasa do passado. A história da esquerda brasileira estaria começando com a fundação do PT. O ocorrido antes de 1980 não teria passado de uma pré-história eivada de conciliações com a burguesia e marcada pelo descompromisso em relação ao destino histórico da classe trabalhadora.

O processo de desconstrução do passado permaneceu durante vinte anos, até o final do século XX. As pesquisas universitárias continuaram dando o sustentáculo "científico" de que o PT era um marco na história política brasileira, o primeiro partido de trabalhadores. O estilo stalinista de fazer história se estendeu para o movimento operário. Tudo teria começado no ABC. Mas não só: a história do sindicalismo "independente" teve um momento de partida, a eleição de Luís Inácio Lula da Silva para a presidência do sindicato dos metalúrgicos de São Bernardo, em 1975 (na posse, estava presente o governador Paulo Egydio, fato único naquela época). Toda história anterior, desde os anarquistas, tinha sido somente uma preparação para o surgimento do maior líder operário da história do Brasil.

A repetição sistemática de que em São Bernardo foi gestada uma ruptura acabou ganhando foro de verdade científica, indiscutível. Lula tinha de negar e desqualificar a história para surgir como uma espécie de "esperado", o "ungido". Não podia por si só realizar esta tarefa. Para isso contou com o apoio entusiástico dos intelectuais, ironicamente, ele que sempre desdenhou do conhecimento, da leitura e da reflexão. E muitos desses intelectuais que construíram o mito acabaram rompendo com o PT depois de 2003, quando a criatura adquiriu vida própria e se revoltou contra os criadores.

Mas não bastou apagar o passado. Foi necessário eliminar as lideranças que surgiram, tanto no sindicato, como no PT. E Lula foi um mestre. Os que não se submeteram, aceitando um papel subalterno, acabaram não tendo mais espaço político. Este processo foi se desenvolvendo sem que os embates e as rupturas desgastassem a figura de líder inconteste do partido. Ao dissidente era reservado o opróbrio eterno.

A permanência na liderança, sem contestação, não se deu por um choque de ideias. Pelo contrário. Lula sempre desprezou o debate político. Sabia que neste terreno seria derrotado. Optou sempre pela despolitização. Como nada tinha escrito, a divergência não podia percorrer o caminho tradicional da luta política, o enfrentamento de textos e ideias, seguindo a clássica tradição dos partidos de esquerda desde o final do século XIX. Desta forma, ele transformou a discordância em uma questão pessoal. E, como a sua figura era intocável, tudo acabava sem ter começado.

A vontade pessoal, fortalecida pelo culto da personalidade, fomentado desde os anos 70 pelos intelectuais, se transformou em obsessão. O processo se agravou ainda mais após a vitória de 2002. Afinal, não só o Brasil, mas o mundo se curvou frente ao presidente operário. Seus defeitos foram ainda mais transformados em qualidades. Qualquer crítica virou um crime de lesa-majestade. O desejo de eliminar as vozes discordantes acabou como política de Estado. Quem não louvava o presidente era considerado um inimigo.

Os conservadores brasileiros - conservadores não no sentido político, mas como defensores da manutenção de privilégios antirrepublicanos - logo entenderam o funcionamento da personalidade do presidente. Começaram a louvar suas realizações, suas palavras, seus mínimos gestos. Enfim, o que o presidente falava ou agia passou a ser considerado algo genial. Não é preciso dizer que Lula transformou os antigos "picaretas" em aliados incondicionais. Afinal, eles reconheciam publicamente seus feitos, suas qualidades. E mereceram benesses como nunca tiveram em outros governos.

É só esta obsessão pelo poder e pelo mando sem qualquer questionamento que pode ser uma das chaves explicativas da escolha de Dilma Rousseff como sua candidata.

Marco Antonio Villa é historiador.