Sugestões de livros (2)

Em um dos comentários foi lembrado (e bem lembrado) o livro de Boris Fausto, "História concisa do Brasil". É uma boa indicação para uma leitura panorâmica da história do Brasil.


Hoje, no Estadão, saiu um caderno muito bom sobre a Guerra do Contestado (1912-1915). O repórter Leonencio Nossa é o responsável pelo texto e Celso Júnior pelas fotos (belíssimas, por sinal).

Sugestões de livros

Vários comentários solicitaram sugestões de leituras que tratem do Brasil e de São Paulo. Infelizmente nós não temos bons livros que deem uma visão panorâmica da história política do nosso país. Os autores clássicos (Euclides da Cunha, Sérgio Buarque de Holanda, Gilberto Freyre, Caio Prado Júnior, Florestan Fernandes, Raymundo Faoro, entre outros) produziram importantes análises mas que, como não poderia deixar de ser, são datadas. Desta forma, fico devendo uma boa indicação.


Com relação á história de São Paulo indico a coleção que vai ser lançada dia 28 de fevereiro, no MIS, às 19 e 30 horas. É a "História Geral do Estado de São Paulo" editada em 5 pequenos volumes. Fui o coordenador. O primeiro trata dos séculos XVI e XVII e foi escrito pelo historiador José Jobson de Andrade Arruda. O segundo focaliza o século XVIII e o autor é o economista e historiador Francisco Vidal Luna. O terceiro volume trata do século XIX e o autor é o historiador José Leonardo do Nascimento. para o século XX foram dedicados dois volumes: a primeira parte ficou a cargo do sociólogo José de Souza Martins e a segunda parte sob responsabilidade da historiadora Tânia Regina de Luca.

Lancei em 2010 o livro "Breve História do Estado de São Paulo" (Imprensa Oficial). Teve mais uma reimpressão ainda em 2010, mas está esgotado.

Sempre a mesma coisa.

O governo Dilma é enfadonho. Vive emaranhado em atos de corrupção (agora o principal é o da Casa da Moeda) e marcado pela incompetência administrativa (o cancelamento da visita às obras da Trnsnordestina e da transposição do São Francisco são exemplares). E a vida segue. Logo vem o Carnaval, depois alguns feriados prolongados, etc, etc. Em abril deve cair mais um ministro acusado de corrupção. Isto depois de semanas de fritura e de paralisia administrativa no ministério. Outro será nomeado, já com muita culpa no cartório. E la nave va.

Jornal da Cultura

Respondendo a uma pergunta: é possível assistir o Jornal da Cultura pela internet. O endereço é:

Crer e perseverar

Hoje, o Estadão publicou este artigo (logo abaixo) de Fernando Henrique Cardoso. No mesmo jornal, a 28 de janeiro, escrevi o artigo "Oposição sem rumo". N'O Globo de 24 de janeiro saiu outro artigo meu com o título "O incômodo silêncio da oposição". Os três artigos dão uma boa discussão:


Nas duas últimas semanas, apareceram alguns artigos na mídia que ressaltam o silêncio das oposições como um risco para a democracia. É inegável que está havendo uma ‘despolitização’ da sociedade não só no Brasil, mas em geral.

O ‘triunfo do mercado’ levou às cordas as colorações políticas. Parece que tudo se deve medir pelo crescimento do PIB. Nos países bem-afortunados, ainda que cheios de ‘malfeitos’, não há voz que ressoe contra os governos.

Nos que caem em desgraça sem terem feito a ‘lição de casa’ – sem terem gerado um ‘superávit primário’ –, aí, sim, os governos em exercício pagam o preço. Caem porque são vistos como incapazes de assegurar o bom pagamento aos mercados.

Não importa ser de coloração mais progressista ou mais conservadora. Caem sem que tenha havido um debate político-ideológico que mostre suas fraquezas eventuais, mas porque o rancor das massas gerado pelo mal-estar econômico-financeiro se abate sobre os líderes do momento.

O Brasil esteve até agora ao abrigo da tempestade que desabou sobre os mercados dos Estados Unidos e da Europa. Por mais que nossos governos errem, os decibéis das vozes oposicionistas são insuficientes para comover as multidões. Pior ainda quando essas vozes estão roucas ou preferem sussurrar.

Como entramos em céu de brigadeiro a partir de 2004, tanto pela virtude do que fizemos na década anterior quanto pelos acertos posteriores e graças à ajuda dos chineses, fazer oposição se tornou um ato de contrição.

Mas que importa? Também era assim no período do milagre dos anos 1970, durante o regime militar. A oposição nada podia esperar, a não ser censura, cadeia ou tortura. Não obstante, não calou. Colheu derrotas eleitorais e políticas, resistiu até que, noutra conjuntura, venceu. Hoje a situação é infinitamente mais fácil e confortável. Só que falta o que antes sobrava, a chama de um ideal: queríamos reabrir o sistema político. Hoje, o que queremos? Ganhar as eleições? Mas para quê? Eis o enigma.

Não faltam candidatos. Ainda recentemente, em conversa analítica que fiz com uma jornalista da The Economist, ressaltei que há vários e não só no PSDB. Neste, o mais conhecido e denso, José Serra, amadurecido por êxitos e derrotas, não conseguiu deixar claro em 2010 sua mensagem, embora tenha obtido 44% dos votos.

O isolamento no qual sua campanha ficou, dadas as dissonâncias internas do PSDB e as dificuldades para fazer alianças políticas, impediu a vitória. Se o candidato tivesse expressado com mais força suas convicções, mesmo desconsiderando o que as pesquisas de opinião indicavam ser a demanda do eleitorado, poderia ter sensibilizado as massas.

Quem sabe por este caminho se decifre o enigma: falar à sociedade, com força e veemência, tudo o que se sente, inclusive a indignação pela corrupção, pela incompetência administrativa e, sobretudo, pelo escândalo de uma sociedade que se faz mais rica com um governo que distribui muito pouco, que faz propaganda do que não concretizou inteiramente e coloca no altar os ‘vencedores’, mesmo quando estes ganham à custa do dinheiro do povo que paga impostos cada vez mais regressivos.

Outro, mais óbvio provável candidato, graças à posição eleitoral dominante em seu Estado e ao seu estilo de fazer política, Aécio Neves, está em fase de teste: transmitirá uma mensagem que salte os muros do Congresso e chegue às ruas? Encarnará a mudança com a energia necessária e o desprendimento que é o motor da ousadia, se arriscando a dizer verdades inconvenientes, e aparentemente custosas eleitoralmente, para que o povo sinta que existe “outro lado” e confie nele para abrir perspectivas melhores?

Refiro-me aos dois por serem os mais cogitados no momento. Não são os nomes que importam agora, mas a disposição de correr riscos e de sair da armadilha da briga partidário-eleitoral para entrar na grande cena da opinião pública e, façamos a distinção, da opinião popular.

É evidente que o governo, qualquer governo, leva vantagens, principalmente desde quando o lulo-petismo instalou a regra de que tudo vale para manter o poder: clientelismo, propaganda abusiva, uso continuado da máquina pública etc. Entretanto, também no regime militar o governo levava vantagens. Mas nós lutávamos não para ganhar no dia seguinte, mas para criar um horizonte de alternativas.

A elucidação do enigma requer perseverança e coragem. Eu ganhei duas eleições no primeiro turno contra Lula porque tinha uma mensagem: a da estabilização da economia com o Real e o início da distribuição de rendas.

Mesmo sem propagandear, a pobreza deixou de atingir mais de 15 milhões de pessoas com a estabilização dos preços e a política de aumentos reais dos salários mínimos, que começou em 1994. Não foi fácil ganhar os apoios para pôr em ação o Plano Real, precisei brigar muito.

Lula ganhou porque pregou, no início no deserto, ser ele o portador da mensagem que levaria a um mundo melhor. Perseverou, rodou o Brasil, abandonou a tribuna parlamentar e, no começo, desprezou a mídia. Mostrou-se audacioso, desprendido e generoso. Se sinceramente, ou não, é outra questão: a Carta aos Brasileiros está à disposição dos historiadores para que julguem. Mas o povo acreditou.

É essa a verdadeira questão da oposição e deveria ser a preocupação dos pré-candidatos: mergulhar nos problemas do povo, falar de modo simples o que sentem e o que se pode fazer. Sem meias palavras e sem insultos. Sem falácia, com muita convicção. Politizar a cena pública para assegurar a democracia. Dizer quem é bom, ou melhor, o que é bom e o que é mau.

Mas dizer nas universidades, nas organizações populares, nas associações profissionais, nas pequenas e médias cidades. Preparar nelas a mensagem – o discurso – para mais tarde falar com credibilidade na grande cena nacional. Quem o fizer terá chances de ser o candidato da oposição e, eventualmente, ganhar as eleições. Isso independe de manobras de cúpula, simpatias e interesses menores.

Não se pense que nossa realidade será sempre o que hoje parece ser: uma sociedade conformada, legendas eleitorais disputando mordomias no dá cá toma lá entre governo e congressistas e a voz do governo a tonitruar como um trovão divino, a que todos se curvam prestimosos. É só mudar a conjuntura, e a cena muda, se a oposição apresentar alternativas. Mesmo que não mude, nada deve alterar nossos valores e convicções. Continuemos com eles, pois “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”.


Enfado

Já escrevi mas não custa repetir: o governo Dilma é enfadonho. Sempre demite um ministro corrupto e proclama que o governo vai (finalmente) começar. Porém, nada acontece. A corrupção continua e a incompetência se mantém inalterada.

STF e o CNJ

A decisão do STF foi importante. Só ocorreu devido a pressão dos setores organizados da sociedade. Deve ser destacado o papel corajoso da ministra Eliana Calmon. O desafio (agora) é a implementação da ação saneadora do CNJ nos estados, principalmente. É sempre bom lembrar que Peluso é também presidente do CNJ e adversário da ação da corregedora. Vamos acompanhar os desdobramentos.