O velho mantra: a corrupção.

É uma entrevista para o site do Instituto Millenium:


Para Marco A. Villa, é a impunidade que afasta o jovem da política no país

5 de agosto de 2011
Autor: Instituto Millenium

pequeno normal grande
Antonio_Villa

O Instituto Millenium entrevistou o historiador Marco Antonio Villa sobre a corrupção do sistema político brasileiro e a impunidade, que, na opinião do especialista, ameaça o sistema democrático e inibe manifestações que contestam os acontecimentos políticos. Há, no Brasil, uma descrença na democracia? A participação civil na política brasileira se restringe às eleições, de dois em dois anos?

Villa criticou a falta de mecanismos que permitam uma reação popular à política no país e considera as novas tecnologias, como redes sociais, e até as novelas, importantes formas para discutir e contestar os governantes do Brasil.

Leia:

Instituto Millenium: Qual o impacto da recente onda de corrupção para a percepção da política?
Marco Antonio Villa: Estamos vivendo um dos piores momentos da história do Brasil republicano. Há uma sucessão de denúncias com gravações, documentos, coisas que são consideradas em qualquer país democrático como provas. O pior de tudo é que não há qualquer apuração e muito menos punição dos envolvidos e a cada semana ou a cada quinzena um novo caso é divulgado. O processo não anda, não chega a julgamento, e você acaba fortalecendo a impunidade e com a impunidade. Sem a punição aos que desviam os recursos públicos, estimula-se mais desvios e nós ficamos nessa bola de neve. Desta forma, a política passa ser sinônimo de corrupção, a ideia de enriquecimento rápido - o que é péssimo para a democracia. Assim, nós estamos afastando dezenas, centenas de jovens que gostariam de ter uma participação ativa na política, mas não o fazem com receio de se misturar com esses corruptos que dominam os partidos políticos. Grande parte deles tem lideranças corruptas com políticos (que passaram até pela Presidência da República) envolvidos em gravíssimos atos de corrupção e, o que é pior, sem que tenham sido punidos por isso. Isso é muito grave. Mais corrupção, mais impunidade significa menos democracia.

Imil: Tais fatos podem gerar uma descrença na democracia, afastando ainda mais a população da política?
Marco Antonio Villa: Nós vivemos um momento sui generis. Não há um Estado autoritário, mas há umstatus autoritário no Brasil. As pessoas estão passivas porque não encontram conduto legal para manifestar sua insatisfação. Não é que elas estejam concordantes, em absoluto. Porém, não há mecanismos institucionais pra que elas possam manifestar sua profunda insatisfação frente à impunidade. E a democracia acaba virando um exercício a cada dois anos, simplesmente pelo voto. Porque a participação no decorrer da vida política entre as eleições não ocorre. Os partidos políticos são fechados, as câmaras municipais, assembléias legislativas e o Congresso Nacional também o são. A sociedade civil não tem espaços efetivos de participação e decisão nos grandes negócios públicos. Então nós temos um regime com eleições sucessivas, há alguma alternância, porém em relação à participação efetiva do cidadão e interesse pela política – que é fundamental para a formação de uma sociedade democrática – infelizmente nós vivemos, volto a dizer, um dos piores momentos da história do Brasil republicano.

Imil: Como mudar esse quadro?
Marco Antonio Villa: Existem vários caminhos. Um seria através das eleições, na hora do voto, ver se o seu candidato está comprometido com a sociedade que ele almeja – uma sociedade democrática em que a corrupção não seja o grande tema nacional. Ou seja, ter responsabilidade na hora do voto e ao identificar um candidato que tem propostas que ele considere boas, o eleitor deve divulgar para seus amigos, de alguma forma se comprometer com aquele candidato no momento da campanha e depois, caso o candidato seja eleito, cobrar dele efetivamente o programa pelo qual foi eleito. Outro caminho é a própria sociedade se organizar em grupos na forma de trabalho comunitário, institutos, sociedades que defendam os princípios básicos da democracia, da transparência, da honestidade no exercício das funções públicas. Outro, ainda, é o protesto através dos meios de comunicação, jornais, rádio e TV, todos esses querem contato com o ouvinte ou telespectador, então devemos usar esse espaço também para protestar. No caso das Assembléias Legislativas, Câmaras Municipais ou Congresso Nacional há o e-mail do vereador, do deputado ou do senador: escrever e protestar. Também através das redes sociais, como já está começando a ser feito e já foi realizado com eficácia em outros países, criar mecanismos de reflexão, debate e ação.

O que não é possível é que a cada semana surja um escândalo que substitua o anterior sem que o anterior tenha sido resolvido. Os escândalos no Brasil tem prazo de validade, não porque eles são apurados mas porque aparece outro escândalo. Depois de uns três quatro meses ninguém lembra mais. Como disse o célebre jornalista Ivan Lessa, a cada 15 anos esquecemos o que aconteceu nos últimos 15. Nós temos um processo de esquecimento e apagamento da história com uma enorme facilidade, o que é extremamente danoso para a democracia brasileira.

Imil: Há uma novela bastante popular no ar atualmente que trata do tema da corrupção, inclusive com o corrupto sendo punido. O senhor acha que isso influencia a opinião pública? É uma abordagem eficaz de alguma forma?
Marco Antonio Villa: Acho que as novelas brasileiras são extremamente importantes e tem um papel de apresentação do Brasil em outros lugares do mundo. Alteraram a novela latino-americana que eram dramalhões e começaram a ter temáticas urbanas, discutir questões políticas, morais, éticas etc. Isso desde os anos 70 em pleno regime militar, basta lembrar a célebre novela de Dias Gomes, “O Bem Amado”. Lembro-me de uma delas próximo a eleição do presidente Fernando Collor, chamada “Vale-Tudo”, que terminava com o bandido da história indo embora do Brasil depois de ter feito as maiores falcatruas. Acho que isso é muito mais real do que aparecer qualquer forma de punição ao corrupto. Se a novela está fazendo um diálogo com a vida real ela tem de mostrar a impunidade. Se não se cria a idéia de que o bem sempre vence e infelizmente no Brasil o mal está ganhando de goleada.

Política sem política

Saiu hoje no Estadão:


Política sem política

17 de setembro de 2011 | 0h 00

Marco Antonio Villa - O Estado de S.Paulo

Na História do Brasil republicano, Dilma Rousseff é a presidente que mais exonerou ministros em menos de um ano de governo. Mas, curiosamente, não identificou nada de anormal na sua administração. Como se as demissões por graves acusações de corrupção fossem algo absolutamente rotineiro. E ocorressem em qualquer país democrático. Todas as demissões seguiram um mesmo ritual: começaram por denúncias publicadas na imprensa e, semanas (ou meses) depois, quando não havia mais nenhuma condição de manter o ministro no cargo, este pedia para sair.

Na ópera-bufa da política nacional, isso passou a fazer parte do figurino. O fecho do processo se repete: é necessário também emitir alguma crítica genérica sobre a corrupção, sem identificar o destinatário. Na hora da posse do novo ministro, deve ser elogiado o antecessor (o elogio será mais extenso e efusivo dependendo de quão poderoso for o padrinho político do ministro). Semanas depois as acusações desaparecem em meio a um novo escândalo.

O Brasil foi, ao longo do tempo, esgarçando os princípios morais e éticos. Em 1954 chamou-se "mar de lama" a um conjunto de pequenas mazelas que envolviam a ação de Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal do presidente Getúlio Vargas. Hoje Gregório seria considerado um iniciante, até um ingênuo. A corrupção permeia todas as esferas do poder e conta com o silêncio complacente do Judiciário.

Em meio a esta turbulência, a oposição não sabe bem o que fazer. Está paralisada. Na base governamental temos alguns senadores que manifestam - ainda que timidamente - algum tipo de independência, como os peemedebistas Jarbas Vasconcelos e Pedro Simon. Vivem uma constante crise de identidade. Sentem-se envergonhados como membros de um partido marcadamente fisiológico, mas não assumem claramente uma posição oposicionista. Nesse contorcionismo perdem espaço e são usados pelo governo, como na tentativa de criar uma frente suprapartidária para dar apoio à presidente no combate à corrupção, que serviu para desviar as atenções da proposta de CPI. O mais estranho é que a presidente não só não pediu apoio, como não fez nenhum movimento de simpatia. Deixou, literalmente, os senadores com a vassoura na mão.

Do lado propriamente oposicionista, continua a triste batalha dostoievskiana. O ódio entre os seus principais líderes deixaria enrubescido o patriarca da família Karamazov. A disputa interna fratricida paralisa qualquer ação. Não há projetos partidários. É uma espécie de cada um por si. E todos se acham espertos. Atualmente, a maior das espertezas é buscar apoio do governo para ampliar o seu poder na oposição. Algo no terreno do fantástico e fadado, obviamente, ao fracasso. Contudo, durante algumas semanas, dá ao líder oposicionista uma aura de sagacidade.

Enquanto isso, o País assiste a espetáculos dantescos de malversação dos recursos públicos, à permanência da inépcia governamental e ao agravamento homeopático dos efeitos internos da crise internacional. Em qualquer país democrático seria um terreno fértil para a oposição. Mas não no Brasil. Aqui, o velho discurso reacionário de que fazer oposição é ser contra o País ainda é dominante. A oposição tem medo de ser oposição. Foge do confronto como o diabo da cruz. Deve sentir vergonha por ter recebido a confiança de 44 milhões de eleitores na última eleição presidencial.

Vivemos num ambiente despolitizado. E isso é adequado ao projeto petista de permanecer décadas no poder. Logo vai completar a primeira. E o partido já está fazendo de tudo (e sabemos o que significa esse "de tudo") para tornar esse plano viável. A figura do ex-presidente Lula é central para cimentar as alianças políticas e empresariais. Afinal, todos sabem que sem Lula o projeto cai por terra. Somente ele consegue dar coerência a uma base política tão heterodoxa, que vai de Paulo Maluf ao MST. Mas para isso, muito mais que o discurso, é indispensável manter uma taxa de crescimento que permita concessões aos mais variados setores sociais, conforme o seu poder de barganha. E aí é que mora o grande desafio do governo, e não na tímida oposição.

São evidentes as diferenças e a qualidade da ação entre governo e oposição. Basta observar os movimentos dos dois últimos ex-presidentes. Lula sabe muito bem o que quer. Não para de articular um só minuto. E não perde oportunidade para atacar a oposição. Do lado da oposição, Fernando Henrique Cardoso parece que vive em outro mundo. Confundiu um elogio meramente protocolar da presidente Dilma com uma revisão ideológica do seu governo por parte dos petistas (que em momento algum foi realizada). Extasiado, não parou de elogiar a presidente e os "esforços" para combater a corrupção. Ou seja, um está atuando ativamente no presente para impor a qualquer preço o seu projeto, o outro está preocupado com o futuro, de como ficará o seu retrato na História.

Nesse ritmo, Lula vai coroando de êxito o seu projeto. Espera vencer as eleições municipais, especialmente em São Paulo. Com o triunfo deverá estabelecer um arco de alianças ainda mais amplo que o atual. É o primeiro passo concreto para retornar à Presidência em 2014 e permanecer, pelo menos, mais oito anos no poder. Caberá a Dilma continuar despachando como uma espécie de presidente interina, aguardando o retorno do titular.

E a oposição? Ah, esta lembra o Visconde Reinaldo, personagem de O Primo Basílio. Quando falava de Lisboa, sempre aguardava um terremoto, como o de 1755, que destruiu a cidade. Como não faz política, a oposição, espera também um terremoto: é a crise internacional. Mas, assim como o hábito não faz o monge, a crise, por si só, não fará ressurgir a oposição.

HISTORIADOR, É PROFESSOR DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS


A principal eleição de 2012

Saiu hoje no Veja on line:


Cabo de guerra no PT de São Paulo

Rompida com a base, Marta Suplicy mantém pré-candidatura à prefeitura. Lula insiste no nome de Haddad. Dúvida: ela vai complicar o "consenso" petista?

André Vargas e Gabriel Castro
Para petistas, Marta embolou a disputa com Haddad ao não deixar claro de início que queria ser candidata

Para petistas, Marta embolou a disputa com Haddad ao não deixar claro de início que queria ser candidata (Fernando Cavalcanti)

A corrida para a prefeitura de São Paulo em 2012 começou com um ano de antecedência, pontuada por uma disputa sem precedentes no PT. O jogo tem cinco pré-candidatos, com diferentes graus de expressão, e é protagonizado por dois deles. De um lado, a obstinada teimosia da senadora Marta Suplicy em voltar à prefeitura, que ocupou de 2001 a 2004. De outro, o autoritarismo do ex-presidente Lula, que tenta impor seu candidato, o ministro da Educação, Fernando Haddad - por enquanto nada mais do que um avatar lulista - a qualquer custo.

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Disputas entre pré-candidatos a cargos eletivos são comuns e saudáveis para a democracia. Só que no PT, onde as decisões se dão por “construção de consenso” – eufemismo que significa manda quem pode –, o imbróglio revela falta de unidade. A capital paulista é um dos poucos lugares em que a tendência de Lula, Construindo um Novo Brasil (CNB), não é hegemônica. Uma ironia política e geográfica devido à proximidade com a região do ABC, onde a legenda surgiu e a CNB predomina.

Periferia – Isso ajuda a explicar, em parte, a resistência de Marta e a insistência dos outros candidatos ao posto de pré-candidato, como o senador Eduardo Suplicy e os deputados federais Carlos Zarattini e Jilmar Tatto, os dois últimos até ontem próximos da senadora rebelde.

Além de Lula, pesam contra Marta outros fatores delicados. As candidaturas de Tatto e Zarattini estão entre eles. Nas caravanas promovidas pelo PT para apresentar os nomes às bases da militância - uma desculpa para Haddad mostrar a cara -, o discurso de ambos é igual ao de Marta. Irmão do deputado estadual Ênio Tatto e do vereador Arselino, Jilmar predomina sobre quase 30% da militância municipal, principalmente na periferia da zona sul.

Prévias – A possibilidade de convocar prévias para escolher o pré-candidato complica ainda mais a situação. No congresso do PT, no fim de semana passado, ficou decidido que as prévias não vão ocorrer se dois terços do diretório se opuserem. Ou seja, se a candidatura de Haddad não se encaminhar naturalmente, Lula ainda terá espaço para manobra. Para o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza, a novidade só terá impacto sobre aqueles que usavam a pré-candidatura para ganhar holofotes. "A decisão das prévias foi definitiva, porque coloca limite para quem quer ser candidato sem ter base real. Da forma que estava antes, era muito fácil alguém chegar e afirmar que era candidato", diz.

O presidente do PT no estado de São Paulo, deputado estadual Edinho Silva, diz que o quadro inédito – e inesperado – é decorrente da falta de diálogo. Ao conquistar uma cadeira no Senado, na última eleição, Marta não sinalizou que queria voltar à prefeitura. “Isso foi interpretado como um espaço político a ser preenchido”, diz. Quando Marta mudou de ideia, as cartas já estavam na mesa. "Suplicy dificilmente se colocaria contra ela", diz Edinho, lembrando que ambos foram casados. Pragmático e fiel ao líder Lula, o deputado não quer as prévias. “Elas deixam sequelas. Os pré-candidatos apontam os defeitos uns dos outros, daí, no dia seguinte, tem que apagar o passado e seguir apoiando o vencedor”, diz.

Waldermir Barreto/Agência Senado

Em outra situação, Eduardo Suplicy não seria adversário da ex-esposa

Em outra situação, Eduardo Suplicy não seria adversário da ex-esposa

Pesquisa – Só que Marta não está tão fraca – apesar de suas limitações. Ela lidera a mais recente pesquisa de intenção de voto do Instituto Datafolha, divulgada em 5 de setembro, com índices de 29% a 31% em quatro diferentes cenários estimulados. Por outro lado, mantém um índice de 30% de rejeição, ou seja, eleitores que não votariam nela de jeito algum. A mesma pesquisa aponta que 40% dos eleitores votariam em um candidato apoiado pelo ex-presidente. Daí a explicação para Lula preferir Haddad, uma figura nova e sem antipatias. Uma vantagem considerável e que segue um método já testado pelo líder petista na eleição de Dilma.

Na quinta-feira, o presidente nacional do PT, deputado estadual Rui Falcão, divulgou em seu site e em seu perfil no Twitter reportagem dizendo que as prévias podem acontecer diante da dificuldade para chegar a um nome de consenso. Vereador e presidente municipal petista, Antônio Donato reavalia a mudança de rumo. “Foi precipitado acreditar que a prévia era um mal em si”, diz. Tal cenário ainda pode se revelar positivo para Haddad. Donato contou ter dito ao ministro que uma escolha interna seria boa para ele ficar ainda mais conhecido pelo eleitor. “Devemos ter a disputa mesmo com a Marta saindo antes”, acredita Donato.

O esforço pelo ministro é justificado. Vencer em São Paulo é crucial para o PT. Na avaliação do cientista político Demétrio Magnoli, a chance de o partido usar a prefeitura para tentar chegar ao governo do estado, disputa em que o PT sempre foi derrotado, aumentou com criação do PSD pelo prefeito Gilberto Kassab. “Lula vislumbrou uma conjuntura nova, desde que o PT não se apresente com sua cara tradicional”, diz. Neste contexto, o nome de Haddad faz sentido.

Nos bastidores, todavia, ainda há quem acredite que o cabo de guerra foi substituído pelo pôquer. A dúvida é saber até quando Marta manterá sua aposta. “Ela pode resistir até negociar uma saída honrosa”, pondera um cardeal petista. Por honroso, pode-se entender um acordo em troca de apoio futuro ou cargos para o presente. O limite esbarra na paciência de Lula, que até agora não viu seu escolhido sob fogo cerrado. “Ele controla a distribuição de cargos no governo federal, sempre rendosos. Quem resistir pode ser retaliado”, afirma o historiador Marco Antônio Villa, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

Tiago Queiroz/AE

Gabriel Chalita (PMDB-SP) é a aposta do vice-presidente Michel Temer para o partido

Gabriel Chalita é a aposta do vice-presidente Michel Temer para o partido

À espera de PT e PSDB - Fora do palco petista, os demais partidos a lançar nomes para a prefeitura de São Paulo se preparam para o novo cenário aguardando pelos erros dos adversários. “A polarização entre PT e PSDB só acaba se um dos dois cometer erros”, diz Edinho Silva. Os primeiros nomes nessa fila são os de Gabriel Chalita (PMDB) e de Netinho de Paula (PCdoB).

Para o PMDB, comandado pelo vice-presidente Michel Temer e gerenciado pelo deputado estadual Baleia Rossi, o próximo pleito será a chance de tentar resgatar o prestígio perdido. Os principais objetivos dos peemedebistas são a reconstrução das bancadas federal (com dois deputados paulistas), estadual (com meros cinco nomes) e almejar o governo do estado no pleito seguinte. Para tanto, concorrer na capital significa mostrar a cara na TV para quase metade dos eleitores, incluindo os que vivem na região metropolitana. “Mesmo bem votado para a Câmara, Chalita ainda não é conhecido da grande massa”, diz Baleia Rossi.

Com pouco espaço no horário eleitoral gratuito na TV, o PCdoB foi o primeiro partido a lançar, ainda em abril, o pagodeiro Netinho como pré-candidato. Ele vem cacifado pela quase eleição ao Senado. A estratégia comunista é largar antes e aguardar ao máximo para fechar uma eventual coligação ou previsíveis apoios. Conversas com o PDT e com o PSB estão em curso. “Não podemos esperar pelos grandes partidos”, avalia a presidente estadual, Nádia Campeão.

Da parte do PSD, o virtual candidato e vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, não se julga na disputa. Por enquanto. Ele aguarda um cenário mais bem definido para entrar no jogo.

Falando das manifestações

Personalidades apoiam movimento de combate à corrupção no governo federal

Publicada em 11/09/2011 às 09h19m


RIO - A sociedade civil começa a se mobilizar para dar apoio e respaldo à presidente Dilma na "faxina" no governo. Senadores de diversos partidos lançaram a Frente Suprapartidária Contra a Corrupção e a Impunidade e convocaram a população para participar. Uma empresária já organiza no Facebook um ato contra a corrupção no Rio , que começa a se espalhar pelo Brasil e foi notícia até no jornal espanhol "El País" . O GLOBO publica diariamente o depoimento de uma personalidade sobre a importância do movimento de combate à corrupção e da mobilização da sociedade.

Marco Antonio Villa, historiador

"Eu fiquei impressionado com as manifestações organizadas no Sete de Setembro. Especialmente em Brasília, onde muitas pessoas foram às ruas. Eu sempre fico irritado quando ouço de alguns, e é pensamento corrente, que a corrupção está no DNA do brasileiro. Outro discurso de que não gosto é o seguinte: se a economia vai bem, então está tudo certo, ninguém se mobiliza. Esses discursos que não tem nada a ver e essas manifestações mostram que as pessoas estão indignadas. A grande dificuldade é encontrar um meio para que sociedade possa demostrar toda essa insatisfação. Nós somos uma sociedade invertebrada, difícil de canalizar algumas insatisfações.

O desafio, agora, é a continuidade. Como manter essas manifestações e pressionar? Aquela tese de que não estão nem aí, é tudo bobagem, lero-lero. Tenta-se até justificar a despreocupação com a carta de (Pero Vaz) Caminha, e associam também a corrupção a uma herança ibérica, mas não é assim. Pode ser que esse movimento inaugure uma nova forma de fazer política. Há um cansaço em relação às formas tradicionais. Os sindicatos e movimentos sociais, por exemplo, são todos beneficiados e atrelados ao governo".


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Corrupção

As manifestações de ontem (principalmente em Brasília) foram importantes. Agora, o desafio é saber se o movimento continua e se expande. Indignação popular é que não falta.

Como o governo quer

As denúncias de corrupção diminuíram. Ou melhor, sumiram do noticiário. Colocando água na fervura, o governo espera retomar a iniciativa política. Começou a deslocar o noticiário para a questão do orçamento e de um novo imposto para a saúde. Os escândalos estão sendo esquecidos (e ninguém foi - ou será - punido). O governo faz o seu jogo. O problema, como sempre, é a oposição.

Retrato do Brasil

Sala São Paulo, sábado à noite, 800 convidados. Presentes: altas autoridades da República, tanto da esfera federal, como da estadual e municipal. Comemoração: aniversário de 80 anos de Paulo Salim Maluf. O aniversariante é procurado em mais de cem países pela Interpol. É o retrato do Brasil.