Desinteresse e apatia.
A tragédia na região serrana do Rio é cada dia pior. Muitos distritos estão isolados. Os mortos já passaram de 700. relatos descrevem que muitos corpos foram retirados pelos moradores que escavavam a terra com as mãos. Mortos foram enterrados nos quintas das casas.
Biblioteca Mário de Andrade (2)
| O futuro de uma biblioteca MARCO ANTONIO VILLA
Os números apresentados pelo diretor são fictícios. Triplicou o número de consulentes? Basta qualquer cidadão entrar na biblioteca e ver que ela está mais vazia do que o estádio do Canindé em jogos da Lusa. E os setores fechados? E o quase desaparecimento dos bibliotecários? Centro de referência? Como, se o acervo está totalmente desatualizado? Lembra Pedro Nava, em "O Galo das Trevas", e isso se aplica à BMA, "que -neste país de analfabetos formados e analfabetos mesmo-, em vez de ter um alto-falante na porta (da biblioteca) gritando -entrem para ler!-, possui pessoal impedindo, o mais possível, acesso ao seu acervo". Se um consulente procurar no terminal os livros que constam do acervo, nada encontrará, pois o catálogo não foi informatizado. Se for usar o xerox, é comum encontrar o setor fechado, pois falta papel, toner ou a máquina pode estar quebrada. Se precisar do setor de microfilmes, encontrará a mesma situação de abandono. Caso necessite de um periódico, é rotineiro encontrar o material semidestruído, sem nenhuma conservação. Isso quando o consulente recebe o material, pois o setor não tem funcionários suficientes para sequer transportar o material até a sala de consulta. Caso resolva buscar um livro publicado em 1995, por exemplo, também não encontrará. É compreensível que o diretor da Mário de Andrade ou o ex-secretário da Cultura não tenham passado por isso: afinal, não são pesquisadores. O setor de livros raros foi esquecido. Hoje, pesquisadores brasileiros ou estrangeiros não têm mais acesso ao rico acervo. Ele está fechado, ou, como prefere a direção, o acesso foi restringido. Pode ser que, depois destas denúncias, volte a abrir -o que seria uma excelente notícia. Mas passou despercebido que os ladrões que roubaram o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, também assaltaram a Mário de Andrade. Quantos livros roubaram? Quais? A administração foi omissa? Foi aberto algum inquérito? Em caso positivo, qual foi a conclusão? Nada sabemos. Em meio à enorme carência de recursos, é inexplicável financiar o Colégio de São Paulo. É essa a atividade-fim da BMA? Evidente que não. Mas acaba servindo para ampliar as bases políticas do diretor: sabemos como a intelectualidade nativa adora uma benesse, por menor que seja. Não causará estranheza que um desses beneficiados apóie entusiasticamente o diretor, louvando a sua administração e até o seu tino acadêmico. Mas isso não mudará em nada a situação de penúria da biblioteca. Em face de tudo isso, cabe a apresentação de propostas. A primeira é a contratação de funcionários. A segunda é a ampliação das instalações. A terceira é a atualização do acervo (por que não propor à Câmara Municipal um projeto de lei prevendo o depósito legal na BMA dos livros editados em São Paulo? Isso certamente não resolve o problema, mas dá início ao processo de atualização bibliográfica). A quarta é a preservação urgente do acervo. A quinta é a divulgação das fontes lá existentes. A sexta é a criação de um setor de doações -quantas famílias não tem um enorme acervo que poderiam doar para a Mário? Bastava selecionar as obras mais significativas, enquanto outras seriam encaminhadas às bibliotecas distritais. Parte dessas propostas envolve pequeno investimento, mas necessita de iniciativa, de uma política cultural que não temos. Porém a direção insiste nas suas promessas: "No ano que vem...". Como no ano que vem? O término da reforma, que nem sequer começou, não era em 2003? O lamentável de todo esse episódio é que os donos da Mário, em vez de ficarem satisfeitos com a discussão sobre os destinos da biblioteca através da Folha -o que não é pouco-, responderam atacando e injuriando. Perderam uma excelente oportunidade para democratizar o debate sobre uma biblioteca tão importante no passado recente da nossa cidade. |
Velhos problemas
Dezoito dias de governo e o panorama é o mesmo que o do ano passado. Ou até pior. Dilma faz o tipo de presidente oculta. Quer mostrar que está trabalhando. Não parece. O descaso das autoridades com a tragédia no Rio é uma mostra. Ela imaginou que bastava uma visita meteórica à área afetada (que não é pequena) que tudo iria ser resolvido. Errado. os ministros da Integração Nacional e das Cidades deveriam estar lá acompanhando in loco e já pensando no que é mais urgente fazer para evitar (ou diminuir) os efeitos de novas tragédias.
Biblioteca Mário de Andrade
Uma possível surpresa
O PSol terá dois senadores na próxima legislatura. E os dois eleitos por 8 anos (não é o caso de Nery, que ficou 4 anos, pois era suplente da Ana Julia). Podem criar problemas para o governo. O bom é que devem agitar um pouco a Casa, marcada pelos escândalos, a impunidade (Agaciel Maia, o ex-diretor foi eleito deputado distrital no DF) e a relação de submissão e troca de favores com o Executivo.
Duas semanas
É muito pouco tempo para avaliar qualquer governo. Dilma está tentando construir a sua forma de governar. Não vai ser fácil. Lula foi, como presidente, um excelente comunicador. O silêncio de Dilma foi considerado algo inteligente por alguns jornalistas. Lembrei do Lima Barreto acabando com o Floriano justamente sobre o silêncio do Marechal de Ferro (no clássico "Triste fim de Policarpo Quaresma"). Dizia o grande Lima, que Floriano ficava em silêncio porque não tinha nada a dizer, era limitado.
Procura-se a oposição
Publiquei hoje em O Globo: