A oposição gosta de perder?

Depois do lançamento oficioso da candidatura José Serra, com muito entusiasmo e aparente unidade do PSDB e dos partidos aliados (DEM e PPS), voltou a oposição à sua pasmaceira habitual. Vez ou outra dá algum sinal de vida (como agora, sustando o dossiê preparado pelos arapongas do PT), mas, em seguida, retorna ao seu ritmo de vigor rarefeito, divisões internas e o predomínio dos projetos pessoais em detrimento de uma possível vitória na eleição presidencial.
Se continuar assim, a oposição será derrotada. A única chance de vitória (numa eleição super-disoutada, como teremos) é fazer uma campanha com muito entusiasmo, mobilizando, primeiro, os diretórios municipais, as lideranças regionais, estaduais e as grandes figuras dos estados nacionais. Os candidatos ao governo nos estados de São Paulo e Minas Gerais devem ter papel central também na campanha presidencial.

A oposição ter de sair deste marasmo. Acreditar que basta vencer em alguns estados a eleição para o governo estadual, acumular forças, para depois voltar a enfrentar, em boas condições, o PT em 2014, é mera ilusão. A eleição de 2010 não decidirá os próximos 4 anos, mas os próximos 12 anos da política nacional.

O caso de MInas Gerais

Dos três maiores colégios eleitorais, Minas é aquele que está mais interessante para ser acompanhado. Em SP e no RJ as alianças e os candidatos já são conhecidos. Em MG, não. O PT vai ter de engolir Hélio Costa. Ocorrerá fraturas. A oposição poderá aproveitar muito bem as contradições e ganhar mais espaço político.

É em Minas onde está mais evidente o tacão de Lula. Ele impôs a aliança sem consultar nenhum líder petista regional. Agiu como um caudilho (e criticava Brizola..........). É provável que encontrará resistência. Se fez isto em Minas, imagine o que fará no Maranhão.........

Indefinição

No atual estágio da eleição, tudo para a oposição é mais difícil. Tem de enfrentar o poderio da máquina governamental, a popularidade do presidente e a campanha em banho-maria. Todos estes fatores são ruins. A oposição fica relativamente imobilizada pois não pode lançar um ataque mais pesado meses antes da eleição. Tem de guardar munição para o momento propriamente eleitoral. Também tem de definir o nome do vice, que não é uma questão de vida ou morte, porém acaba abrindo campo para uma agenda negativa.

Temperatura alta

O bate-boca sobre o dossiê aumentou a temperatura da campanha. A oposição agiu bem respondendo imediatamente. Já escrevi (e não só aqui) que teremos a campanha mais violenta da história republicana. A "mobilização" dos "movimentos sociais" custa muito caro e dificilmente ocorrerá na escala desejada pela direção da campanha da candidata oficialista (basta citar o fracasso do ato de ontem, no Pacaembu). O caminho vai ser o ataque frontal com acusações destinadas ao eleitorado menos politizado (como já está ocorrendo), uso da internet para espalhar calúnias (e com a ajuda dos blogueiros oficiais) e dossiês em larga escala. O bloco que está no poder usará de todos os meios (legais e ilegais) para se manter. Teme não só o desmantelamento pela oposição do saque organizado do Estado, como a revelação do que ocorreu nestes últimos 7 anos e meio. A guerra ainda nem começou.

O caudilho de São Bernardo

Uma excelente tarefa acadêmica e política é a de escrever uma biografia política de Lula. Não uma hagiografia, mas uma biografia. Desde 1975 há na imprensa farto material, além do material partidário de diversas correntes políticas.

Gaza (2)

Os trágicos episódios não estão esclarecidos (e dificilmente serão). O que é óbvio é que a tensão na região vai aumentar. Isto reforça a ideia de que é uma "furada" se envolver naquela região. O Brasil não tem nenhum interesse estratégico no Oriente Médio e economicamente não é um parceiro importante. A prioridade da diplomacia brasileira deve ser o trato das questões econômicas com a China, EUA e Europa. O resto (inclusive o Mercosul) é secundário. Evidentemente que o Brasil não deve se omitir nas questões internacionais. Pelo contrário, a ênfase na defesa das liberdades e do respeito aos direitos humanos devem ser elementos que distinguam a nossa diplomacia.

Abril, maio..........

Dois meses de campanha e nada. Na Inglaterra bastou um mês. Temos uma das campanhas mais longas (e sem substância) do mundo. Teria de mudar a lei eleitoral, mas isso dificilmente ocorrerá. Ontem ainda teve um seminário: Serra e Dilma falaram de economia. Mostraram diferenças, mas quem ficou sabendo? Só após a Copa (e será sempre assim, pois o mandato presidencial deve se manter nos quatro anos e a seleção brasileira estará presente em todas as copas) a campanha vai interessar aos eleitores. Agora é aquela fase do trabalho miúdo, das articulações regionais e dos acertos do tipo de campanha de cada candidato.

Até agora, a tarefa "hérculea" tem sido a de Serra. Dilma é uma mera delegada de Lula. Teve tempo até para fazer compras em Nova York. Só fala em continuidade e evita qualquer assunto espinhoso. De debate, nem quer ouvir falar. Deve estar pensando em só comparecer no último debate do primeiro turno, que deve ser o da Rede Globo.

Já o candidato do PSDB está buscando ampliar e fortalecer os palanques regionais, montar uma equipe forte de campanha, sempre ficando atento ao jogo sujo da candidata oficial (nestes dias foi denunciado que estava sendo elaborado um dossiê contra Verônica Serra). Os sindicatos, como já tinha escrito, serão um dos instrumentos mais eficazes para semear a desinformação. Paulinho, conhecido pelego, disse ontem que Serra pretende acabar com a licença maternidade, férias, etc. Só faltou falar que seria restabelecida a escravidão.

O jogo de denúncias tem sua eficácia principalmente nas regiões mais atrasadas, como o Nordeste. O boato se propaga com mais rapidez e a resposta tarda a chegar. No Sul e Sudeste o panorama é distinto. Daí que, a tendência é a eleição ser decidida no Triângulo de Ferro da política nacional: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A chance real da oposição para ganhar a eleição é sair com uma ampla margem de votos, especialmente nos dois primeiros estados.