Uso da máquina

Quem acessar o site da Casa Civil da Presidência da República (www.casacivil.planalto.gov.br) e clicar em vídeos, verá um conjunto de filmes com discursos da ex-ministra Dilma Rousseff. Evidentemente que não cabe apagar a história, como poderia dizer algum partidário mais exaltado da candidata, mas não é recomedável manter estes vídeos durante o processo eleitoral. É propaganda da candidata. Não pode. É ilegal. Depois de 31 de outubro, aí sim pode liberar os ídeos no site. Mesmo assim, é, no mínimo, estranho manter vídeos de ex-ministros nos sites dos ministérios.

Os desafios de Serra.

José Serra teve um mês de abril perfeito. Deu tudo certo. Fez o seu papel e foi ajudado pelas trapalhadas de Dilma (e que não sossega: hoje disse, em programa divulgado pela sua assessoria, que os retirantes da seca migraram do Nordeste para o Brasil!). Vai ter de enfrentar fogo cerrado do PT. Não causará assombro se já estiver no forno um dossiê contra Serra. A estabilização de Dilma e o crescimento da diferença a favor de Serra nas pesquisas vai aumentar a temperatura da campanha. A Copa do Mundo está nas portas. A campanha vai ficar em segundo plano. A estabilização da vantagem de Serra dará uma vantagem significativa quando a campanha for retomada, após a Copa (a final será a 11 de julho).


Até lá tem muito chão. Terá de se definir sobre a vaga de vice. Não será nada fácil. O nome mais forte. hoje, é o do senador Dornelles. É de perfil conservador, agrega muito pouco apoio à chapa, a não ser o tempo da TV. Serra terá de fazer a conta política e ver se compensa ganhar um minuto na TV e ser acusado de estar aliado com Maluf (um dos fundadores e líder do PP, partido do senador). Tem vários problemas nos palaques estaduais (o caso de PE é um deles). E deverá fechar os acordos para garantir um bom tempo na TV (provavelmente com o PSC - que tem nos seus quadros, o ex-governador Roriz - e o PTB de Roberto Jefferson).

Mas terá também de apresentar alguma coisa do seu programa. Não basta dizer que pretende continuar o que está indo bem. Isto dá certo nos primeiros momentos da eleição. Depois da Copa os eleitores vão começar a prestar a atenção na eleição. A fase da campanha que chamei no post anterior de "miss simpatia" (dos 3 principais candidatos), vai terminar.

Momento "miss simpatia"

A campanha ainda está morníssima. É o estágio "miss simpatia". Os candidatos viajam pelos estados, distribuem sorrisos a esmo, concordam com os interlocutores e só procuram auditórios dóceis. Se possível, levam as equipes de campanha para filmar o corpo-a-corpo. Em suma: é só elogio.

Programa que é bom, nada. É até natural pois a campanha, no Brasil, é muito longa (tal qual a americana). E ainda queriam que alguns partidos realizassem primárias...........Quanto mais longa a campanha, mais espetáculo e menos substância. E quando a política vira espetáculo, quem mais perde é a qualidade do debate eleitoral.

Política maranhense

Quem quiser acompanhar a política no Maranhão - triste Maranhão, apresado faz um tempão pela famiglia Sarney - deve acessar o http://marcos-nogueira.blogspot.com
No blog investiga e denuncia - com farta documentação - os desmandos dos Sarneys.

CBN

No www.cbn.globoradio.globo.com/programas/fato-em-foco está postado o programa de sábado, na CBN, "Fato em foco". Participei com o cientista político Humberto Dantas. Debatemos este momento da eleição.

Em busca dos votos

Ontem, primeiro de maio, Dilma e Serra percorreram caminhos opostos. Dilma esteve em São Paulo acompanhada de Lula nos atos públicos das centrais sindicais. Falar nestes atos, não vejo problema. A questão é que todas as manifestações foram pagas com dinheiro público, via patrocínio das empresas e bancos estatais. Dilma discursou e, como de hábito, não empolgou. Foi Lula que garantiu as manchetes, como sempre. Dilma buscou as centrais sindicais, que são aliadas férreas do governo (um post já tratou disso). Portanto, não foi em busca de ampliar seu leque de apoio. Os dirigentes estão com a candidata oficial porque não querem largar as boquinhas do FAT, do imposto sindical e de cargos no ministério do Trabalho. O público, como no ato da Força Sindical, estava lá por causa dos cantores e do sorteio dos prêmios. Não deu a mínima atenção ao seu discurso.

Serra foi a Santa Catarina em busca do voto dos evangélicos. Eleitorado que em 2002 e 2006 foi cortejado pelo PT. Ganhou pontos. Busca o apoio do PSC (é o tempo da TV, já comentado). Fez um discurso recheado de citações bíblicas, como seria de se esperar. A estratégia está correta. Para vencer uma eleição presidencial é condição indispensável ganhar estes votos, principalmente quando há uma candidata desta denominação (Marina) e um governo que cortejou os evangélicos.

Em resumo: Dilma seguiu o roteiro de Lula e buscou um território amigo. Serra, neste sentido, foi mais ousado. Foi lá buscando ampliar seu apoio.

Recordando 2002

De acordo com o Datafolha, em dezembro de 2001, onze meses antes da eleição, Lula tinha 36% das intenções de voto. Liderava fácil pois o segundo colocado tinha somente 16% (Ciro Gomes). Em fevereiro de 2002 Lula caiu para 32% e o segundo colocado tinha chegado a 18% (agora era Garotinho). Em março Lula voltou a cair: 29%. O segundo colocado alcançou 22% (e agora era Serra). A diferença entre os dois primeiros era de apenas 7%. Parecia que Lula não parava de cair e que o segundo colocado (neste momento era Serra) ia continuar crescendo. ledo engano. Lula tinha chegado no piso mínimo da campanha, assim como a diferença para o segundo lugar: um mês depois subiu para 10 pontos e em maio foi de 26 pontos.

Serra, até agora, sempre liderou as pesquisas. As duas últimas (Datafolha e Ibope) mostraram que a diferença (que tinha siminuido) voltou a crescer para o segundo lugar (Dilma). Ou seja, nas pesquisas anteriores deu um crescimento do segundo colocado e uma queda do primeiro, diminuindo a diferença entre os candidatos. Os mais apressados consideraram que Dilma iria suplantar Serra, que estaria, segundo eles, em queda livre. Não foi o que ocorreu, assim como em 2002, no primeiro trimestre Lula atingiu seu pior índice e depois voltou a crescer nas pesquisas.

É o que ocorreu neste ano. Serra tinha chegado ao piso e Dilma ao teto. E o que estamos vendo é uma consolidação de Serra na liderança das pesquisas (assim como Lula em 2002, só que em proproções inferiores).